Era o que dizia o bordado da camiseta do Mario Ramiro, em sua performance em parceria com o Bacana. Inspirado pelo mapeamento sonoro que a norueguesa Maia Urstad coletou no dia anterior, foi o último projeto realizado a partir das recombinações, trocas e contaminações que a interação entre artistas e transformação do espaço expositivo suscitaram no MAMAM no Pátio.
Bacana é o anunciante da loja de materiais em aço atrás do Pátio de São Pedro. Com seu amplificador e microfone, depois de uma visita guiada pela exposição ministrada por Ramiro, o mestre de cerimônias da Finissage anunciava a dinâmica do Estúdio Aberto, bem como todos resultados dos processos ocorridos no período do SPA. Eita, Porra!, de Jeraman, Híbrido ao Pulso, de Ricardo Brazileiro, A Casa de Pão, do Grupo SYA (Artur Cordeiro e Yuri Firmeza) e Papel Sensível, de Cristiano Lenhardt.
As crianças habitantes do Pátio e seu entorno entraram na casa de pão e gritavam “é tudo nosso, é tudo nosso” e os marceneiros da estrutura de madeira que sustentava a casa vieram nos parabenizar pela iniciativa, sem contar com a ação do chá de cozinha comestível do Branco do Olho e um público bem heterogêneo que se encantou com a beleza e inventividade abrigadas pelo MAMAM. De perto, foi isso: encantador. De longe, passado um tempo, fica evidente o pólo magnetizador em que aquele espaço se transformou promovido pela confiança, afeto, inteligência e talento que o grupo emanou. Da inversão dos mecanismos expositivos das artes visuais – da sua “desordem”: criação e instalação dos trabalhos em exposição – surgiu a Finissage, uma celebração coletiva da arte, ponto. Sem estratificações, sem especificismos nem excessos de discursividade, mas galgada pelo princípio político do prazer.
Essa dinâmica não teria sido possível não fosse pela atenção e dedicação de Aline Minharro Gambin, o grande Romoaldo, Dandara, Catarina, Camila, Mabel, Camila Duprat, Tetê Tavares, Renata Motta, o Branco do Olho e, claro, meus queridos Maia Urstad (e os alunos de seu workshop, que fizeram uma apresentação sonora impecável com freqüências de rádio), Mario Ramiro (e sua energia), Ricardo Carioba (que abençoou o Pátio com sua performance à velocidade do pensamento logo no primeiro dia), Ricardo Brazileiro (pelo conhecimento sensível), Jeraman (Jerônimo Barbosa e todos os artistas da brilhante exposição Eita, Porra!), Cristiano Lenhardt (pela doçura e pelos novos valores que emprestou à fotografia), Artur Cordeiro e Yuri Firmeza (pelo banquete arquitetônico, que alimentou nossos corpos e almas). Um beijo grande a todos.
